"Eu escrevo como se fosse pra salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida". -- Clarice Lispector.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vivendo e aprendendo.


"Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu". -- Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Entropia.

É um dia desses ensolarados e doces em que você abre a janela e a luz do sol vem limpando tudo o que já foi, tirando toda a poeira que ali estava sobre os sonhos, os sentimentos, as lembranças. Então esse raio vai tirando tudo, bagunçando tudo, revirando tudo. Você vê os sonhos brilhando bem devagarzinho como quem diz: nós sempre estivemos aqui, não importa se há ou não poeira acumulada sobre nós. Vamos continuar brilhando em você, amanhecendo cada vez mais forte. Acho que isso também deve acontecer com cada um de nós, de uma forma interna, sabe? Tá na hora de desarrumar isso aí, para de tentar manter isso em um só lugar, de deixar acumular poeira nessas coisas tão bonitas. Aprende que tudo no universo tende à entropia, inclusive nós mesmos. Então é isso, tira um dia, uma hora, um minuto ou até um ínterim de piscar dos olhos e deseje se perder. Deseje virar ao avesso isso tudo e acabe descobrindo que o avesso é o seu lado certo. Sai da rotina, das manias, das cobranças e se deixe ser. Seja por inteiro. Todos precisam de um momento assim, de uma [Entro]alma. Um suspiro prolongado em que você se entenda, se ache, se goste. Todos precisam de um dia desses ensolarados e doces que fazem uma brisa avassaladora mudar tudo isso aí. E que seja doce.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

[Au]Sente.

Então, por muito tempo andei sentindo ausência da falta. Entretanto, de uns textos pra cá percebi que não há falta na ausência. Só que não era a ausência da falta ou o fato de não haver falta na ausência – como eu sentia – que tanto me torturava. Era o desse tipo: que é pre[au]sente e faz falta. Como você e eu. Mas tudo bem, já aprendi a colocar cada palavra em seu devido lugar. Só os sentimentos que estão espalhados por todos os lados. Já sei que cada pessoa tem uma forma de estar, aprendi isso com a vida. Aprendi com ela também que ser sincero torna tudo mais simples e ao mesmo tempo complicado, diante da força que cada palavra vai exercendo quando penetra em cada um. As palavras são muito fortes. Os sentimentos, também. Aprendi a ser, a deixar que fosse, a usar vírgula, travessão, parágrafo e até ponto final. Hoje me deparo com tentar aprender a respeitar as ausências presentes da vida. Não sei te dizer se é ela que impõe isso de ser pre[au]sente, algo maior, destino, acaso ou quem sabe até nós mesmos. Só sei que a culpa é nossa. Não exclusivamente sua ou minha, mas inteiramente nossa. Às vezes me permito ser um pouco egoísta me perguntando se você não pensou nisso, nas conseqüências da decisão tomada anos atrás. Elas me afetaram diretamente. Não só a mim ou a você, você sabe. E desde então é inteiramente nós. E espero que nós desatemos os nós. Assim, eu esperava. Não que ainda não espere. É que eu também aprendi através de pessoas muitíssimo raras que se deve seguir em frente e que não se vive de passado ou ausências ou faltas ou quês ou seja lá o que for. E é por isso que uso agora o que o tempo me ensinou: o ponto e vírgula. Porque tem muito para ser escrito e reescrito ainda. Mas também tem o que precisa ser encerrado. A vida não tem borrachas, mas tem pontos finais. Não em nós, nunca, pois sempre serei uma parte sua e você de mim. E por mais incrível que pareça, apesar de todos os nós, você me ensinou que não se deve escrever fraquinho. Eu já tinha aceitado isso textos atrás. Mas você sabe como é: as coisas vão, os sentimentos ficam. Esse foi e voltou. Só que ele voltou justamente para ser acrescentado de um ponto e uma vírgula. Voltou para ser acrescentada a compreensão, não aceitação, mas um pouco de compreensão. Então é isso, depois do ponto e da vírgula, vamos desatar os nós que ainda estão por vir. Cada um no seu devido lugar, espalhado por todos os lados.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Inverno.

E depois de um longo inverno, cá estou de novo. Estou aqui para virar, pelo menos ao longo desse post, uma contadora de histórias. E essa começa com a de um senhor, que antes foi um garoto assim como você. Mas ele não foi um garoto comum. Perdeu a mãe cedo, foi criado pela tia. Não podia brincar direito, pois a mesma não deixava. Sua "diversão" era trabalhar. Vivia no interior. Seu pai, dono de uma tipografia, trabalhava muito. Esse garotinho, mesmo tendo sua bola de futebol furada com a desculpa que ela era a culpada por fazer um calombo na cabeça de uma gado - que foi feito por uma abelha -, nunca desistiu. E me ensinou muito assim. O menino cresceu, fez até o primeiro ano do colegial e decidiu trabalhar. O pai disse que ele iria ter de começar de baixo, como faxineiro da tipografia. Mas ele não se entregou por aí, com muita coragem, muito esforço, determinação e fé ele conseguiu se tornar gerente dela. E o sol viu, pela primeira vez, a lua. E se apaixonou perdidamente por ela. É assim que começa a linhagem que deu origem a uma menina-rosa-contadora-de-histórias. O sol casou-se com a lua. E dessa união, nasceram oito estrelas. Umas viraram estrelas cadentes com o decorrer do tempo. Outras perpetuam seu brilho ainda hoje. Uma dessas estrelas casou-se com uma flor-de-lis e como frutos desse amor, brotou um principezinho e uma menina-rosa. Mas, como tudo nessa vida passa e nem todas as flores aguentam todas as tempestades, o tempo que era da estrela e da Flor-de-lis passou. E essa Flor teve que ser muito forte para transformar essa tempestade em brisa e assim guiar seus frutos ao caminho que sempre trilhou: o do amor. A estrela nunca se apagou e de tempos em tempos também mandava seu brilho pra o principezinho e a menina-rosa. O sol e a lua seguiam sempre ao lado deles com belos ensinamentos. E é por isso que não me permito desistir. Porque uma certa Flor que ainda se recupera de tantas tempestades e um sol saudoso que já se pôs há um tempo nunca desistiram. O garoto que se tornou sol, que amou uma lua, oito estrelas, uma Flor-de-lis e um principezinho me ensinou que o certo é sempre seguir em frente independente da dor que você sinta. Porque isso passa e o que é verdadeiro fica. O garoto que se tornou sol e que carregava uma menina-rosa em seu colo regando-a com muito amor a ensinou - mesmo que ela não compreendesse tão bem - que sonhar é importante e lutar pelos sonhos ainda mais. O sol saudoso - tatuado em cada pétala, em cada aroma e na alma da menina-rosa - e a Flor lhe deram o maior e melhor presente que poderia existir em toda existência dessa menininha: lhe ensinaram a amar acima de tudo. E o que essa rosinha diz pra vocês? Continuem a sonhar e principalmente, amem. Continuem a amar. Agora entendo que os Beatles nunca me iludiram. "And in the end, the love you takes is equal to the love you make." Na verdade, pode ser muito maior. É só acreditar.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Agridoce.

Eu acreditava que a vida era cheia de surpresas, mas nunca quando a gente precisa de uma delas. Então foi quando tudo se mostrou ao contrário para mim. Sim, a vida é cheia de surpresas, quando a gente anda assim: desatentos e sem esperar nada além do que se vê. Só que a vida é muito mais do que se vê, do que se espera. Ela vai trilhando seus – meus - caminhos de uma forma inimaginável. E eu sei que lá no fundo há muita beleza no mundo e que algumas coisas são tão mornas. E quentes. Essas coisas desconhecidas que revivem na gente a cada acontecimento inesperado, a cada obstáculo superado e medo enfrentado. Ando, devagarzinho e sem pressa, aprendendo a enfrentar meus medos. E isso tem sido tão bom, porque meu mundo passa a transformar-se sempre, me mostrando um dó ali e sol – aconchegante - sempre aqui. E eu só queria enxergar toda beleza invisível que se concentra ao meu redor e fora dele também. Por isso, ao invés de preferir o depois, agora, desejo o agora. É com ele que se vai conseguindo ir mais além, enxergar mais além, sentir mais além, viver. E a gente vai entendendo que a vida é assim, meio doce, meio salgada: Agridoce. Você vai aprendendo a parar de se importar e a se importar. E eu não me importo, só vou dançar, com você. Ou comigo mesma, tanto faz; só passei a ser sem medo de ser. Por isso eu me entrego ao agora. E realmente espero que consiga deixar tudo assim como está: sereno, agridoce.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Incolor.

Ele dói. Ele ainda dói. Dói-me. Só dói. Como se tivesse perdido aquilo que nunca me pertenceu verdadeiramente, por inteiro. Um processo interno. Que já era visível, talvez não dizível, mas se fingia de invisível. Essas coisas de-dentro de uma pessoa. Mas especificamente de uma rosa. Uma rosa envolta por seus espinhos. Esses que ela mesma não consegue enfrentar. Então, ele continua a doer, bem aqui olha. Diante de todos esses espinhos. Diante de todos esses sentimentos inalcançáveis, que nunca partiram para alcançá-lo e nunca se deixaram tocar. Intocáveis. Não, tocáveis, sim por ele. Aquele que dói, pelo menos por hoje. Sabe, descobri que isso existia um dia desses, não que isso já não existisse, mas passou a existir, ou melhor; permiti que isso existisse agora. Porque talvez as coisas só comecem a passar depois que são permitidas a ecoar. E ele ecoa aqui dentro, não sei dizer se forte ou fraco ou médio ou quês. Só aqui dentro, sabe? Naquele lugarzinho mais escondido e impenetrável e profundo que pode haver dentro de uma rosa. Dizem por aí que o nome dele é lugar-onde-se-esconde-os-sentimentos. Não digo os verdadeiros sentimentos porque todos sempre são, bons ou não. E esse lugar se chama, no momento, incolor. Porque está sendo colorido novamente aos poucos. E descolorido também, toda vez que ela sente aquela súbita vontade de ir aonde não se deve ir e sabe que não deve. Até porque já é tarde. Tão tarde. Então, a rosa já teve seus dias de “polisipos”. E eles voltarão. Ainda sem previsão, ainda sem futuros próximos. Hoje só interessa o hoje, o momento que dói de forma incontrolável toda vez que a sua brisa uiva perto dela trazendo aquele aroma capaz de mudar tudo em volta. Toda vez que seus sentimentos não-sinceros, assim dizendo, seus não-sentimentos penetram por cada pétala. Aí eles tocam o lugar-onde-se-esconde-os-sentimentos-mais-inimagináveis-que-uma-rosa-pode-ter. Uma epifania. As palavras. Elas aliviam sabe? Elas fazem emergir o incolor dessa sensível florzinha. Filtram as emoções. E queria que tudo fosse bem mais claro, mas a gente não deixa. Porque... Talvez ela não exista em você. E a sua existência seja apenas uma projeção dos doces sentimentos que doem nela. Sim, uma projeção daquilo que foi permitido existir e é sem ser. Por hoje o incolor foi o centro das atenções. O incolor ecoou como nunca havia antes dentro dela. E por ter ecoado tão fortemente, no fim deste texto, ele ecoa mais fracamente. Porque as coisas começam a passar depois que ecoam. Mas ainda continuam aqui, no mais profundo incolor. Ela permite isso. Isso de você ecoar às vezes nele. Ora forte como o vento e seus aromas, ora fraco como um tímido raio de luz que tenta iluminar na mais profunda escuridão. E muda o mundo dela hoje. E talvez, amanhã, sem ecoar.

terça-feira, 26 de julho de 2011

E as estrelas são tão iluminadas.

É isso aí. Deu-me uma vontade incontrolável de escrever. E já é de madrugada. Não posso negar isso a mim mesma, é como se um vazio estivesse sendo preenchido. Como se minha alma voltasse a renascer. Renata. Renascer. E de novo, de novo e sempre. Eu quero mais. Mais? Sonhos, mais sonhos. Novos sonhos. E de que zona você é garota? – Sou da zona mundo. Porque quando lhe convidam pra ir ver as estrelas, é irrecusável. Parece que voltei a ser eu mesma, depois de tanto tempo adormecida, me reencontrei. E me encontrar muda ‘magicamente’ eu mesma, minha vida. Porque minha essência continua aqui, mesmo que tenha adormecido todo esse tempo, ela continua aqui. E isso me deixa tão, mas tão aliviada. Eu ainda sou eu. Ainda existo, fui salva. Salva por lembranças de mim mesma. Recuso-me a esquecer. Então, volto a ser bailarina-andarilha-oblíqua. Equilibro-me na minha linha de pensamentos, linha que me leva... aonde? Linha a qual me fará desaguar – assim como rios deságuam no oceano – em todos os meus sonhos. Únicos. Sou movida por sonhos, sim, os que vivo dormindo ou acordada. E de repente, tudo se torna tão maior, tão magnífico, tão sublime, tão... tão...tão. Tudo tão lindo. Tudo aquilo que eu não me permitia enxergar. Tudo aquilo que sempre esteve ao meu redor, mas eu era tão distraída. Eu sou assim sabe, dispersa. Mas distraída, como pude? Uma madrugada tão doce; e as estrelas? As estrelas cadentes que meus desejos pegam carona. Talvez eles estejam em algum lugar brilhando por aí. Ou em algum asteróide ouvindo certo principezinho que me ensina coisas mais simples e bonitas a cada leitura. “Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta um pouco maior do que ele, e que tinha necessidade de um amigo... Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro”. Então, não gosto que me leiam superficialmente. Entreguem-se de corpo e alma, por favor. Não deixe que uma planta ruim – como os terríveis baobás – cresçam no seu terreno. Porque quando não se descobre que aquela semente era ruim a tempo, nunca mais a gente consegue se livrar dela, pois suas raízes penetram no planeta todo. Em todo seu coração. Pois é. As flores são tão contraditórias, mas às vezes se é tão ‘jovem’ para saber amá-las, não é? Então volto a dizer: quando lhe convidam para ir ver as estrelas, é irrecusável. “Porque as estrelas são todas iluminadas... Será que elas brilham pra que cada um possa um dia encontrar a sua?” Era uma vez um pequeno príncipe que acreditava que sua rosa era única no mundo. E ela brilhava só pra ele.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Afinação.

Então, acredite-se e chegará onde você quiser ir. Ela queria acreditar-se; indiscutivelmente, ela queria. Mas isso era como algo perdido, um sonho distante, uma melodia pela metade, um violão desafinado. Faltava uma peça. Uma peça dela mesma que não se encaixava naquele quebra-cabeça. E ela rodava, rodopiava que nem uma bailarina, delicada bailarina. E tocava, profundamente, aquele violão desafinado. E sonhava como se fosse uma criança em dia de natal. Mas ela pensava tanto no amanhecer que não acreditava. E ela queria desabrochar tudo aquilo como uma rosa. E ela queria viver. Isso, ela queria viver tudo o que conseguisse compor; intensamente. Imensamente. Em prosa, em versos, em lira; entrando no território mais profundo e perigoso e misterioso dela mesma. Mas tudo isso tinha um preço: acreditar. Para isso é preciso enxergar o invisível; infinito dela mesma, o invisível, encontrar-se paralelamente no infinito de ser ela mesma. Ela era assim sem ter razão de ser, já sendo; tropeçando nela mesma nesse abismo de ser já sendo, nessa busca implacável e transversal da sua alma; ecoando notas de virtudes esquecidas no seu coração. Então as similaridades começaram a aparecer entre as afinidades dos tons acima e dos tons abaixo; uma afinação musical da sua perdida alma acontecia no breve momento. Ela acreditou. Mesmo que fosse nesse ínterim de tons, ela acreditou; ousou e pôs-se a reinventar uma nova saída. Ou novas saídas. Então o beijo e a dor se tornaram uma coisa só e ela brilhou. Brilhou como uma bailarina com uma estrela dizendo que caiu do céu. Sem mérito, enquanto tudo em volta brilhava e girava, mas não esperava. E era tudo tão raro. Ela ecoava notas, só lhe restava agora acreditar.